O homem exige a felicidade, mas não a suporta por muito tempo

DURANTE A PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX, autores como Aldous Huxley e George Orwell imergiram no mundo das distopias, criando romances futuristas nos quais os humanos tinham perdido a liberdade e passaram a fazer parte de uma engrenagem social que proibia, vigiava, manipulava e prometia uma falsa felicidade.

No fim do mesmo século, os irmãos Wachowski seguiram o curso dessas antiutopias com Matrix. Neste filme, apresenta-se um mundo em que os homens vivem uma vida que não é real, mas sim uma simulação virtual. Os humanos são cultivados pelas máquinas porque são a fonte de energia de que elas necessitam para sobreviver. E, para que as pessoas produzam essa energia, devem viver ou ao menos acreditar que estão vivendo. O curioso é que, como afirma uma das máquinas, o Agente Smith, os humanos não respondiam bem a uma vida perfeita, feliz e sem problemas, e acabavam morrendo. Então tiveram que recriar um mundo com desgraças, conflitos, discussões e problemas para que os humanos sobrevivessem.

Dessa forma, os irmãos Wachowski lançaram uma questão que deu muito o que falar: por que o homem não suporta ser feliz e, no entanto, busca constantemente a felicidade e exige que ela seja permanente?

Esse paradoxo  foi captado por Rousseau em sua obra A nova Heloísa: “Não vejo ao meu redor outra coisa além de motivos de contentamento, e não estou contente […] sou muito feliz e me entedio.”

Alguém pode se entediar por ser feliz? É a felicidade ou a monotonia que nos mostra que algo não vai bem? Está provado que um ser humano não pode ser infeliz sempre, tampouco feliz o tempo todo.

Por exemplo, há quem considere que alguém que ganhou na loteria deveria se sentir feliz. O que essa pessoa experimenta, entretanto, é simplesmente um momento de euforia. Claro que ela se sente a pessoa mais felizarda do mundo e isso pode fazer com que ela pense que é feliz. Mas esse sentimento não dura para sempre. Porque, por mais que o dinheiro possa solucionar alguns de seus problemas, surgirão outros que antes ela não tinha. Em resumo, felicidade é algo temporário. A boa notícia é que a infelicidade também.

O filósofo francês Pascal Bruckner afirma que a sociedade criou uma exigência constante de felicidade. Em seu livro A euforia perpétua, ele afirma que nos sentimos obrigados a estar sempre contentes, a demonstrar alegria e a esconder a tristeza. A frase “Sejam felizes para sempre”se transforma em um mandamento, em um dedo acusador que aponta para aquele que não consegue levar isso adiante. A vida humana está sujeita a reviravoltas, a altos e baixos, a circunstâncias mutáveis. Precisamos avançar, mudar, decidir. E essa necessidade também implica rupturas, abandono, sofrimento. Como defende o budismo, o sofrimento é parte da vida. Não podemos evitar os momentos de dor, de separação, mas devemos apreciar o que temos. Bernard Le Bovier de Fontenelle dizia que “esperar uma felicidade muito grande é um obstáculo para a própria felicidade”.

Após sua longa caminhada em busca da sabedoria, Sidarta consegue se encontrar com a unidade, encontrar a si próprio, encontrar a paz interior, junto a um simples rio. Assim como ele se realiza ao lado do rio, afastado da riqueza, das meditações e dos rituais, nós também podemos encontrar a felicidade nos agarrando a um instante: aqui e agora.

Um ensaio sobre dominar a própria mente.

Quando você consegue dominar a própria mente, você domina as múltiplas preocupações, se eleva acima de todas as coisas, e se liberta.

Quando você é dominado pela própria mente, sobre você recai o fardo de múltiplas preocupações, e você se torna subalterno das muitas coisas, incapaz de se elevar.
“Cuide de sua mente; a resguarde sem hesitação. Uma vez que é a mente que confunde a mente, não deixe que ela ceda a si própria.”

Aquele que vence a si mesmo é sábio e aquele que se deixa derrotar por sua própria mente é ignorante. Quando alguém consegue triunfar de sua própria mente, triunfa também sobre todas as coisas e a elas domina com liberdade. Quando alguém se deixa derrotar por sua própria mente, é derrotado também pelas coisas e, dominado por elas, não consegue subir à tona. É preciso prestar atenção à mente e vigiá-la de maneira firme. Um poema diz com toda a razão:

“A mente é o embusteiro que engana a própria mente,
Tua mente não deve facilitar, confiando na própria mente.”

Aquele que deixa sua mente à vontade terá aumentados seus pensamentos de apego e se precipitará nos mundos de sofrimento. Quando alguém conseguir assassinar a mente, terá alcançado na mesma hora a Realização Búdica. Devemos fixar a atenção no velho ditado que afirma:

“Mata! Mata! Se não matares a cada instante,
Cairás no inferno, rápido como uma flecha!”

O Sutra da Meditação da Verdadeira Lei afirma:

“O sábio está sempre preocupado, como prisioneiro em sua prisão; o ignorante está sempre despreocupado e feliz, como um gênio celestial luminoso.”

por, Suzuki Shosan (samurai, 1579-1655)

Sobre ser escritor por Bukowski

“Se você for tentar, tente de verdade.

Caso contrário nem comece. Isso pode significar perder namoradas, esposas, parentes e empregos. E talvez a sua cabeça. Isso pode significar não comer nada por três ou quatro dias. Isso pode significar congelar num banco de praça. Isso pode significar gozação. Isso pode significar escárnio, isolamento. Isolamento é uma dádiva. Todo o resto é teste de sua resistência.

De quanto você realmente quer fazer isso. E você vai fazer isso, enfrentando rejeições das piores espécies. E isso será melhor do que qualquer coisa que você já imaginou. Se você for tentar, tente de verdade. Não há outro sentimento melhor que isso. Você estará sozinho com os deuses. E as noites vão arder em chamas. Você levará sua vida direto para a risada perfeita.

Esta é a única boa briga que existe.”

Por Charles Bukowski

O que é o CAIBALION?

O Caibalion (Kybalion) é um livro esotérico e ocultista sobre os Princípios Herméticos, foi publicado pela primeira vez em 1908 em inglês. O livro foi escrito por três indivíduos auto-intitulados Os Três Iniciados, e segundo eles contêm a essência dos ensinamentos de Hermes Trismegistus tal como ensinado nas escolas herméticas do Antigo Egito e da Grécia.
O título Caibalion se refere a uma palavra hebraica que significa “Tradição ou preceito manifestado por um ente de cima” e compartilha a mesma raiz da palavra Qabala. Muitas das ideias apresentadas neste livro anteciparam conceitos relativamente modernos da Lei da Atração e do Movimento do Novo Pensamento.

Logo abaixo, deixo a esclarecedora palestra que menciona de forma simples e direta sobre o livro, sobre Hermes e sobre:

OS SETE PRINCÍPIOS HERMÉTICOS
“Os Princípios da Verdade são Sete; aquele que os conhece perfeitamente, possui a Chave Mágica com a qual todas as Portas do Templo podem ser abertas completamente.” – O CAIBALION
Os Sete Princípios em que se baseia toda a Filosofia hermética são os seguintes:
I. O Princípio de Mentalismo.
II. O Princípio de Correspondência.
III. O Princípio de Vibração.
IV. O Princípio de Polaridade.
V. O Princípio de Ritmo.
VI. O Princípio de Causa e Efeito.
VII . O Princípio de Gênero.
Estes Sete Princípios são explicados e explanados, magistralmente nessa palestra feita pela Nova-Acrópole.
Enjoy!

Há destinos que uma pessoa provoca e que se adaptam a ela.

AS PESSOAS FLEXÍVEIS TÊM A CAPACIDADE de se adaptar ao meio, mas conseguem manipular as circunstâncias para ajudá-las a atingir suas metas, como o lutador de judô que utiliza a força do adversário em seu próprio benefício. Em um pots anterior vimos o discurso de Bruce Lee sobre a água e sua capacidade de adaptação. Ser água é se adaptar à realidade mutável e aprender a arte da paciência.

Vejamos agora um exemplo muito comum nos contos populares: a luta entre a água, a espada e a rocha. A espada e a rocha se consideram superiores: a espada acredita que pode ferir a água, pois a parte ao meio como parte qualquer outra coisa. E a rocha, por sua vez, acha que pode cair sobre a água e danificá-la. No entanto, a rocha não danifica a água; simplesmente faz com que ela desvie o seu curso. A espada, por mais que afunde seu fio na água, não pode parti-la. A água se adapta, a rodeia, mas não deixa de fluir. Em compensação, a água pode desgastar a rocha e oxidar a espada até que seu fio não mais corte.

A paciência, a calma e a capacidade de adaptação são armas mais poderosas. O brando –a água –acolhe, enquanto o duro –a rocha –repele. Uma pedra pontiaguda é ameaçadora, mas pode ser destruída pela água, que penetra em suas fendas e, ao congelar, é capaz de parti-la, por mais dura que seja. Nosso caminho pode nos levar a muitos lugares, e, para aprender sobre eles, é preciso ser como a água e nos adaptarmos ao curso dos acontecimentos. Como o mundo nunca se adaptará a nós, devemos ser flexíveis como o bambu, que balança com o vento mas não se quebra. Um rio, em cada local que ele passa, recolhe em sua corrente fragmentos desse lugar, de tudo o que aconteceu ali. Isso enriquece o rio.

Da mesma maneira, o que encontramos em nosso caminho nos nutre e nos dá sabedoria sempre que não desprezamos esse conhecimento. Em muitos relacionamentos, um dos membros do casal, ou ambos, tenta mudar o outro, moldá-lo para que seja como gostaria que fosse. Força o outro a ser o que não é. O segredo dos casais felizes, como em qualquer tipo de relação interpessoal, é o respeito mútuo e a confiança. Com nossa imaginação e iniciativas, produzimos nosso destino, mas cada ato precisa ser um traje sob medida para as situações mutáveis. É preciso observar e entender. Só depois agir.