Poema “desabafo: a ilusão eros do amor”

Olá caros amigos!

Iniciando uma nova “tag” poemas, deixarei aqui prosas reflexivas sobre a vida. E principalmente nesses ultimos dias comecei a série de meditações diárias que cabalistas de todo o mundo praticam. Chamado de Sefirat ha Ômer (para saber mais sobre essa intensa meditação cabalística, acesse aqui). “Inflado” com os espasmos da meditação, sobre atributos realmente verdadeiros do amor “ágape”, deixo uns versos que certamente levarão aos caros leitores, a alguma espécie de auto avaliação de nossas próprias vidas…

Foi para mim, após escrever, reler e digerir a profundidade das palavras, um verdadeiro processo alquímico. Não aquele que transforma ferro em ouro, mas aquele que transmuta o espírito ignorante e um senhor de novas possibilidades.

Deixo-lhes com ele…

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Para ser escritor

Aos amigos escritores e ou amantes da literatura em geral, recomendo fortemente que leiam a obra “Para ser escritor (2010)” de Charles Kiefer. Abaixo deixo um bloco de reflexão contido no livro, pelo ato de amar as letras e escrever com a alma!

Transcrevo-lhes uma pequena passagem que me deu forças (Kiefer) para enfrentar a mediocridade geral em que vivia e me serviu de parâmetro ético nessa aventura de ser escritor. Ela se encontra na introdução da “Epístola preambular”, que abre o livro De l´infinito, universo e mondi, publicado em 1584:       

“Se eu, ilustríssimo Cavaleiro (ele se dirigia ao Cavaleiro da Ordem do Rei Cristianíssimo, o Senhor Michel de Castelnau, mecenas), manejasse o arado, apascentasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse um paletó, ninguém faria caso de mim, raros me observariam, poucos me censurariam, e facilmente poderia agradar a todos. Mas, por eu ser delineador do campo da natureza, atento ao alimento da alma, ansioso da cultura do espírito e estudioso da atividade do intelecto, eis que me ameaça quem se sente visado, me assalta quem se vê observado, me morde quem é atingido, me devora quem se sente descoberto. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos. Se quiserdes saber porque isto acontece, digo-vos que a razão é que tudo me desagrada, que detesto o vulgo, a multidão não me contenta, e só uma coisa me fascina: aquela, em virtude da qual me sinto livre em sujeição, contente em pena, rico na indigência e vivo na morte; em virtude da qual não invejo aqueles que são servos na liberdade, que sentem pena no prazer, são pobres na riqueza e mortos em vida, pois que têm no próprio corpo a cadeia que os acorrenta, no espírito o inferno que os oprime, na alma o error que os adoenta, na mente o letargo que os mata, não havendo magnanimidade que os redima, nem longanimidade que os eleve, nem esplendor que os abrilhante, nem ciência­ que os avive. Daí, sucede que não arredo o pé do árduo caminho, por cansado; nem retiro as mãos da obra que se me apresenta, por indolente; nem qual desesperado, viro as costas ao inimigo que se me opõe, nem como deslumbrado, desvio os olhos do divino objeto: no entanto, sinto-me geralmente reputado um sofista, que mais procura parecer sutil do que ser verídico; um ambicioso, que mais se esforça por suscitar nova e falsa seita do que por consolidar a antiga e verdadeira; um trapaceiro que procura o resplendor da glória impingindo as trevas dos erros; um espírito inquieto que subverte os edifícios da boa disciplina, tornando-se maquinador de perversidade. Oxalá, Senhor, que os santos numes afastem de mim todos aqueles que injustamente me odeiam; oxalá que me seja sempre propício o meu Deus; oxalá que me sejam favoráveis todos os governantes do nosso mundo; oxalá que os astros me tratem tal como à semente em relação ao campo, e ao campo em relação à semente, de maneira que apareça no mundo algum fruto útil e glorioso do meu labor, acordando o espírito e abrindo o sentimento àqueles que não têm luz de intelecto; pois, em verdade, eu não me entrego a fantasias, e se erro, julgo não errar intencionalmente; falando e escrevendo, não disputo por amor da vitória em si mesma (pois que todas as reputações e vitórias considero inimigas de Deus, abjetas e sem sombra de honra, se não assentarem na verdade), mas por amor da verdadeira sapiência e fervor da verdadeira especulação me afadigo, me apoquento, me atormento. É isto que irão comprovar os argumentos da demonstração, baseados em raciocínios válidos que procedem de um juízo reto, informado por imagens não falsas, que, como verdadeiras embaixadoras, se desprendem das coisas da natureza e se tornam presentes àqueles que as procuram, patentes àqueles que as miram, claras para todo aquele que as aprende, certas para todo aquele que as compreende”.       

Quatrocentos e vinte e seis anos depois dessas palavras, outras palavras não são necessárias. Calo-me, sob o olhar sereno do filósofo, em meio ao fogo…

O estado de espírito consciente em um novo ano

 Através dos olhos de uma criança, um “Mar” de “consciência” pode surgir.

E desse Mar a paz que leva ao infinito. Ao conhecimento de si mesmo…

Grandes mestres do passado atingiram uma compreensão profunda da vida. Não porque tiveram um árduo treinamento intelectual, mas porque abandonaram todas as falsas concepções sobre a realidade e transcenderam os limites da mente comum. Da experiência da vida em sua originalidade e espontaneidade surgiu o Chán.

Desde o nosso nascimento, aprendemos a interpretar os acontecimentos, a identificar os seres e objetos através de noções comparativas. Supomos o claro quando verificamos o escuro, descobrimos o “eu” quando admitimos o “outro”. A partir da definição de referenciais, desenvolvemos nosso conhecimento do mundo, baseados em nossas próprias conclusões mentais. Por serem pessoais e subjetivas, essas noções não podem ser consideradas verdades absolutas. Não podemos dizer onde termina o claro e começa o escuro, pois os opostos fazem parte do mesmo princípio. A concepção de um ou de outro é uma questão de interpretação.

Esse princípio é observado em todos os fenômenos no universo, onde nada possui uma realidade absoluta e imutável. Tudo é relativo e depende do olhar do observador. Essa falta de substancialidade real, ou seja, a vacuidade dos fenômenos, é conhecida nas tradições budistas como sunyata. Mais um reconhecimento das características transitórias do universo do que propriamente a nulidade de sua existência, o conceito do sunyata abre a nossa mente para um campo além do entendimento comum e intelectual. Ele nos atenta para o fato de o que chamamos de real ser uma idéia suposta e dependente de um referencial. Aquilo que existe, ao mesmo tempo não existe e esse entendimento não pode ser alcançado se não superarmos a lógica materialista.

Os meios para se experimentar essa consciência dependem principalmente da prática da meditação. Procura-se atingir um estado elevado de consciência, a não-mente, onde percebe-se a natureza subjetiva da mente comum. Nesse estado, não há identidade, pois a mente se une à grande mente (bodhicitta) e as distinções deixam de existir. É o estado do samadhi.(Um estado de “Observador Consciente”!)

Um feliz 2015!

Neil Gaiman & conselhos para novos escritores.

 

Neil Richard Gaiman, tendo posteriormente adotado o nome de Neil Richard MacKinnon Gaiman (PortchesterInglaterra,10 de novembro de 1960) é um autor de romances e quadrinhos britânico nascido na Inglaterra.

Entre suas obras em prosa estão “Deuses Americanos” e “Belas Maldições”, a segunda em parceria com Terry Pratchett; e sua criação quadrinística mais conhecida é Sandman, que tem como personagens principais Sandman, a personificação antropomórfica do Sonho, também é conhecido como Morpheus, numa referência à mitologia grega e seus irmãos, Morte, Destino, Delírio, Desejo, Desespero e Destruição.

As capas da revista foram desenhadas pelo parceiro artístico e amigo de Neil Gaiman, Dave McKean (com quem trabalhou em outras histórias em quadrinhos como Violent Cases, Orquídea Negra e Mr. Punch). Em seus trabalhos cinematográficos, encontramos “Mirrormask”, seu filme ao lado de Dave McKean e a Jimmy Hensons Company, estreou em Maio de 2005 nos cinemas e “Neverwhere” mini série para televisão que escreveu, e é exibido pela BBC inglesa. Em 2007, entrou em cartaz a animação Beowulf, co-roteirizada por ele, além do longa de Stardust, uma de suas mais aclamadas obras, realizada ao lado de Charles Vess.

Sou um grande fã dos seus trabalhos literários e de certo modo, “os mundos que invento” em princípio, tiveram influencia da escrita dele. Até que chegou o dia, que tive “bagagem literária” para alçar vôos únicos. A entrevista transcrita abaixo, leva a uma reflexão sobre esse estado de mutação que o escritor iniciante deve viver, para sentir se realmente ele será um ESCRITOR de verdade!

Passo a palavra ao grande mestre das letras fantásticas Neil Gaiman :) 

Texto transcrito e traduzido livremente de entrevista com o autor Neil Gaiman dada ao The Nerdist Podcast.


The Nerdist Podcast: Eu sei que você precisa terminar em um segundo, só quero te fazer mais uma pergunta, como um dos grandes escritores em nossa cultura e também como alguém que trabalhou com Alan Moore. Eu sei que temos muitas pessoas que são escritores ou trabalham com criação que ouvem o nosso podcast. Existe alguma forma de sintetizar um pouco do seu processo de escrita ou algo que você tenha aprendido, algo que você considere importante. Você constantemente ouve essa pergunta das pessoas, algo como: “Sou um jovem escritor, você tem algum conselho, o que eu faço?” Eu sei que é uma pergunta impossível de responder mas…

Neil Gaiman: Não, não, você quer saber minha resposta para isso? Eu posso responder.

Você escreve todo dia, ou você só escreve quando está inspirado? O que você aprendeu? Continuar lendo Neil Gaiman & conselhos para novos escritores.

Duas estradas & o bosque amarelo

Duas estradas separavam-se num bosque amarelo,
Que pena não poder seguir por ambas
Numa só viagem: muito tempo fiquei
Mirando uma até onde enxergava
Quando se perdia entre os arbustos;

Depois tomei a outra, igualmente bela,
E que teria talvez maior apelo,
Pois era relvada e fora de uso;
Embora, na verdade, o trânsito
As tivesse gasto quase o mesmo,

E nessa manhã nas duas houvesse
Folhas que os passos não enegreceram.
Oh, reservei a primeira para outro dia!
Mas sabendo como caminhos sucedem a caminhos,
E duvidava se alguma vez lá voltaria.

É com um suspiro que conto isto,
Tanto, tanto tempo já passado:
Duas estradas separavam-se num bosque e eu –
Eu segui pela menos viajada,
E isso fez a diferença toda.

Robert Frost (1874-1963)