Um ensaio sobre dominar a própria mente.

Quando você consegue dominar a própria mente, você domina as múltiplas preocupações, se eleva acima de todas as coisas, e se liberta.

Quando você é dominado pela própria mente, sobre você recai o fardo de múltiplas preocupações, e você se torna subalterno das muitas coisas, incapaz de se elevar.
“Cuide de sua mente; a resguarde sem hesitação. Uma vez que é a mente que confunde a mente, não deixe que ela ceda a si própria.”

Aquele que vence a si mesmo é sábio e aquele que se deixa derrotar por sua própria mente é ignorante. Quando alguém consegue triunfar de sua própria mente, triunfa também sobre todas as coisas e a elas domina com liberdade. Quando alguém se deixa derrotar por sua própria mente, é derrotado também pelas coisas e, dominado por elas, não consegue subir à tona. É preciso prestar atenção à mente e vigiá-la de maneira firme. Um poema diz com toda a razão:

“A mente é o embusteiro que engana a própria mente,
Tua mente não deve facilitar, confiando na própria mente.”

Aquele que deixa sua mente à vontade terá aumentados seus pensamentos de apego e se precipitará nos mundos de sofrimento. Quando alguém conseguir assassinar a mente, terá alcançado na mesma hora a Realização Búdica. Devemos fixar a atenção no velho ditado que afirma:

“Mata! Mata! Se não matares a cada instante,
Cairás no inferno, rápido como uma flecha!”

O Sutra da Meditação da Verdadeira Lei afirma:

“O sábio está sempre preocupado, como prisioneiro em sua prisão; o ignorante está sempre despreocupado e feliz, como um gênio celestial luminoso.”

por, Suzuki Shosan (samurai, 1579-1655)

Aquele que quiser nascer tem que romper um mundo.

EM MUITAS CULTURAS EXISTE UM ritual de passagem ou de iniciação entre a infância e a idade adulta. Nossa cultura foi perdendo esse rito de passagem tão necessário, embora restem elementos que continuam sendo praticados em alguns ambientes.

Durante muito tempo, a entrada na vida adulta era precedida de uma prova, de uma demonstração da maturidade. Nas tribos aborígines, é natural abandonar um jovem na floresta e obrigá-lo a passar alguns dias lá sozinho, para que cuide de si mesmo. Se cumprir o desafio e demonstrar que enfrentou o medo e a solidão, ele prova que pode enfrentar a vida real sem necessidade de ajuda e está pronto para se tornar um adulto.

Por outro lado, se o jovem volta correndo, aterrorizado, significa que ainda não está preparado para deixar a infância. Sair pela primeira vez para caçar também é uma maneira de enfrentar a vida real. O menino deve abandonar sua inocência para se tornar homem. Esses ritos implicam sempre desprender-se do eu anterior para deixar que o novo eu nasça.

Há uma cena em Sidarta que também ilustra o que é um rito de passagem, uma maneira de abandonar a antiga existência para abraçar uma nova. Depois de conhecer os prazeres mundanos, desesperado por ter se perdido de si mesmo, Sidarta planeja suicidar-se. E é aí que tem uma revelação. De repente se sente novamente vivo. Descobre que devia morrer para voltar a nascer, matar seu antigo eu, sua antiga vida, para poder iniciar uma nova –porque é quando deixamos morrer nossas etapas anteriores que somos capazes de compreendê-las, de olhá-las com outros olhos e obter conhecimento a partir delas. Sidarta percebe que, apesar de haver se perdido, de quase ter morrido, seu pássaro cantor segue gorjeando. Essa voz anterior representada pela ave lhe permite descobrir que pôde desprender-se de sua antiga vida. Esse mesmo pássaro estimula Demian, em outro romance de Hesse, a romper a casca, a abandonar a vida que levou e começar uma nova. Ao matar simbolicamente nossa vida passada, deixamos para trás tudo o que éramos até então, embora carreguemos o que aprendemos.

Renascemos em um novo mundo que se abre diante de nós não só com a sabedoria do que foi vivido, mas também com ignorância, com vazios que nos permitem descobrir o novo e nos conhecermos.

Nietzsche disse que devemos morrer várias vezes em uma vida. Ao longo de nossa existência, caminhamos, avançamos e escolhemos, e escolher é sempre deixar algo para trás, desprender-se de alguma parte de si mesmo. Eliminar etapas é uma forma de matá-las, de morrer para renascer diante de um novo desafio. Romper a casca é romper uma camada do mundo que nos rodeia. Em suma, como a ave que quebra o ovo depois de ter se desenvolvido o suficiente, crescer é transformar-se de dentro para fora. Pensar é romper. É pensar por si mesmo. Por isso, é preciso romper a casca, desfazer-se de toda ideia planejada para viver a própria vida.

Merlin disse no filme Excalibur: “Olhar um bolo é como olhar o futuro: até que o provemos, o que na verdade sabemos dele? Depois, já é muito tarde.”

Se não nos atrevermos a provar o bolo, como saberemos o que nos espera?

Como saberemos se é isso o que queremos?

É preciso romper a casca e atrever-se a viver.

Nossa salvação é a morte, mas não esta.

ESTE AFORISMO mostra nossa possibilidade de morrer e renascer no decorrer de uma mesma vida. Vejamos um exemplo concreto disso.

Ceferino Carrión (1928-1996) perdeu o pai e o irmão durante a Segunda Guerra Mundial, quando um torpedo alemão atingiu o barco em que fugiam da fome que assolava a Espanha. Ceferino trabalhou como operário em Barcelona.

Depois rumou para a França, onde foi garçom, e de lá emigrou clandestinamente num navio para os Estados Unidos, tendo lavado pratos durante anos sem saber falar inglês. Pouco a pouco foi aprendendo o idioma e assimilando a cultura do país.

Decidiu mudar-se para Hollywood.
Lá, trocou seu nome para Jean Leon e abriu um restaurante junto com um ator com quem fizera amizade: ninguém menos que James Dean.
Após a morte do amigo num acidente, Jean Leon ficou à frente do La Scala, o “restaurante dos atores”, que serviu a “última ceia” de Marilyn Monroe. Insatisfeito com os vinhos californianos, investiu na Penedés, na Espanha, que passou a criar vinhos especiais para seu restaurante, os quais acabaram por se tornar uma das marcas mais respeitadas da vinícola.

A vida de Jean Leon demonstra que, quaisquer que sejam as circunstâncias, é possível morrer e renascer para o que cada um está destinado a ser.

É preciso ousar, é preciso calar…

Se fordes cego como Sansão, quando sacudirdes as colunas do templo, as ruínas vos esmagarão.

Para mandar na natureza, é preciso ter-se tornado superior à natureza pela resistência às suas atrações.

Se vosso espirito esta perfeitamente livre de todo preconceito, toda superstição e de toda incredulidade, mandarei nos espíritos.

Se não obedecerdes às forças fatais, as forças fatais vos obedecerão.

Se fordes sábios como Salomão, fareis as obras de Salomão.

Se fordes santos como Cristo, fareis as obras do Cristo. Para dirigir as correntes da luz móvel, é preciso estar fixo numa luz imóvel.

Para mandar nos elementos, é preciso ter dominado seus furacões, seus raios, seus abismos e suas tempestades.

É preciso SABER para OUSAR.
É preciso OUSAR para QUERER.
É preciso QUERER para ter o Império.
E para reinar, é preciso CALAR.’

 Eliphas Lévi

O Poder do Mito

 

”Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos…” – Joseph Campbell

Na verdade, espiritualidade requer que você vá para seu interior e aceite o que encontrar, independente do que seja. Nem tudo o que encontrará será bom ou belo. Mas, enfrentar a si mesmo é um estágio importante para encarar a verdade. E lendo os livros e estudos do renomado professor, escritor e especialista em mitologia e religião comparada, Joseph Campbell, sobre a religiosidade e suas várias facetas, entendemos a “espiral” que pode ser “a verdade”.

Tanto nos meus estudos como escritor (O observador que vos fala), lendo a “Jornada do Herói” para entender o processo criativo que arrebata pessoas no mundo inteiro nos livros de ficção e fantasia, aos estudos que faço como ocultista que me levam a incríveis reflexões nos livros “O poder do Mito” e “As máscaras de Deus” (e seus volumes) me rendo a genialidade desse homem.

Para entender melhor, caro amigo e leitor, convido-o a ver as últimas entrevistas deste que foi um dos gênios do século XX, pouco antes de falecer em 1987. Seja bem vindo ao mundo incrível e “re-descoberto” por de Joseph Campbell. Cuidado pois tudo que acreditava ser as bases de suas crenças podem “ruir”.

O legado de Campbell para a humanidade é inestimável e os que assistirem as entrevistas e refletirem em suas declarações irão compreender em seus corações e mentes.

Mas digo pra melhor muito MELHOR!

Os livros escritos por Campbell e detalhes vocês consegue aqui.

Bom filme! 😉

O Poder Do Mito, por Joseph Campbell

Entrevista com Joseph Campbell (1904-1987), mitólogo norte-americano, feita pelo jornalista Bill Moyer.

Os estudos independentes de Campbell levaram-no a uma análise profunda das ideias do psicólogo Carl Jung e de Sigmund Freud. Altamente influenciado pela psicnálise jungeriana, Campbell escreveu ,em 1949, o livro The Hero with a Thousand Faces (“O Herói de Mil Faces”) . A entrevista é dividida em 6 temas:

1º A Mensagem do Mito — Campbell compara a história da criação de Gênesis com as histórias de criação no mundo de outras culturas

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2º: A Saga do Herói — Muito antes dos cavaleiros medievais se encarregarem de matar dragões, os contos de aventuras heróicas já faziam parte de todas as culturas mundiais. Campbell nos desafia a ver a presença de uma jornada heróica em nossas vidas. Continuar lendo O Poder do Mito