O adversário e o vencedor.

Fonte: CEMEC – Centro de Estudo e Meditação Cabalista

Aquele que tem muitos nomes. O senhor da mentira. Enganador. Legião. Estes, entre vários outros nomes, estão associados a uma figura em particular: Satanás, a figura que congrega tudo que é vil na existência da humanidade. Como um ser que existe para gerar maldade, ele cria discórdias, separa pessoas e tentou Jesus Cristo no deserto, lhe oferecendo o mundo. Sendo uma figura de tanta importância, e tendo suas origens na Torah, seria óbvio que a Cabala teria uma forma de enxergar esta tão importante entidade.

A palavra “Satã”, ou “Satanás”, se origina do hebraico “Shaitan”, que significa “adversário”, ou também “opositor”. Na gematria hebraica, que é o estudo das palavras através de valores numéricos atribuídos a suas letras e palavras, a palavra “Shaitan” tem valor 249. Na gematria, quando temos palavras diferentes, porém, com o mesmo valor numérico, estas palavras significam a mesma coisa. A este valor, podemos atribuir também várias palavras como “expectativa”, “medo”, “chover”, “tornar afiado” ou “domínio”.

Quando olhamos a construção do Eu, segundo a Cabala, vemos que temos uma programação inerente a nós, que é o Desejo de Receber. Porém, tão longes da Luz Criadora, este Desejo de Receber, que é uma programação inserida em nós pelo próprio Criador, se torna algo diferente: se torna o Egoísmo. O Egoísmo nada mais é do que a vontade de receber apenas para si.

Satanás, nesta compreensão, é justamente o motor propulsor do Egoísmo. Ele torna vivas todas as pulsões que nos movem para saciar cada um de nossos desejos, e para que ignoremos a Luz Criadora, nos focando apenas nos tesouros que conseguimos aqui no Reino. Ele, então, é o senhor de nossos instintos mais básicos e profundos.

Porém, para a Cabala, existe apenas algo a se considerar: ele, Satanás, não passa de uma metáfora para designar o maior de nossos adversários – nós mesmos, os motores propulsores de nossos desejos. A maldade, ganância, egoísmo, inveja, vaidade, entre vários de outros assim chamados “problemas” da sociedade, são guiados não por uma fonte externa, que nos tenta a todo custo. Mas sim, por uma fonte extremamente interna, que é o que a Cabala chama de “Eu Primitivo”, ou “Eu Instintivo”.

“Então nossa missão é eliminar este Eu Primitivo!”, poderiam pensar alguns. E a Cabala surpreende neste ponto, ao dizer que pelo contrário – devemos alimentar nosso Eu Primitivo. Porém, devemos domesticá-lo e guia-lo para que possa fazer sua função principal: nos servir. Assim, podemos pegar todos os nossos sentimentos mais negativos, e fazer com que eles trabalhem a nosso favor. A raiva se torna ação construtiva, e nos faz refletir sobre nossa estima. O medo gera cautela e ação ponderada. A inveja nos move para que nos tornemos melhores. O opositor, Satanás, para a Cabala, é, então, o maior professor que teremos. Pois apontará, até o último segundo de nossas vidas, as nossas falhas e vícios. E não seria o tikkun, que é a purificação através da correção de nossas falhas e vícios, uma das tarefas mais importantes para um Cabalista?

Seja o vencedor de si mesmo!

Como?

Uma das formas de transcender seria através da meditação de Contagem do Omer (Sefirat ha Omer) que começa á 0:00 do dia 15/04/2014.

Marcelo Del Debbio, grande expoente do cenário Ocultista no Brasil, produziu uma série de materiais que pode auxiliar na meditação.

Acesse aqui!

Shalom… 😉