NeilGaiman-by-AdrienDeggan

Neil Gaiman & conselhos para novos escritores.

 

Neil Richard Gaiman, tendo posteriormente adotado o nome de Neil Richard MacKinnon Gaiman (PortchesterInglaterra,10 de novembro de 1960) é um autor de romances e quadrinhos britânico nascido na Inglaterra.

Entre suas obras em prosa estão “Deuses Americanos” e “Belas Maldições”, a segunda em parceria com Terry Pratchett; e sua criação quadrinística mais conhecida é Sandman, que tem como personagens principais Sandman, a personificação antropomórfica do Sonho, também é conhecido como Morpheus, numa referência à mitologia grega e seus irmãos, Morte, Destino, Delírio, Desejo, Desespero e Destruição.

As capas da revista foram desenhadas pelo parceiro artístico e amigo de Neil Gaiman, Dave McKean (com quem trabalhou em outras histórias em quadrinhos como Violent Cases, Orquídea Negra e Mr. Punch). Em seus trabalhos cinematográficos, encontramos “Mirrormask”, seu filme ao lado de Dave McKean e a Jimmy Hensons Company, estreou em Maio de 2005 nos cinemas e “Neverwhere” mini série para televisão que escreveu, e é exibido pela BBC inglesa. Em 2007, entrou em cartaz a animação Beowulf, co-roteirizada por ele, além do longa de Stardust, uma de suas mais aclamadas obras, realizada ao lado de Charles Vess.

Sou um grande fã dos seus trabalhos literários e de certo modo, “os mundos que invento” em princípio, tiveram influencia da escrita dele. Até que chegou o dia, que tive “bagagem literária” para alçar vôos únicos. A entrevista transcrita abaixo, leva a uma reflexão sobre esse estado de mutação que o escritor iniciante deve viver, para sentir se realmente ele será um ESCRITOR de verdade!

Passo a palavra ao grande mestre das letras fantásticas Neil Gaiman :) 

Texto transcrito e traduzido livremente de entrevista com o autor Neil Gaiman dada ao The Nerdist Podcast.


The Nerdist Podcast: Eu sei que você precisa terminar em um segundo, só quero te fazer mais uma pergunta, como um dos grandes escritores em nossa cultura e também como alguém que trabalhou com Alan Moore. Eu sei que temos muitas pessoas que são escritores ou trabalham com criação que ouvem o nosso podcast. Existe alguma forma de sintetizar um pouco do seu processo de escrita ou algo que você tenha aprendido, algo que você considere importante. Você constantemente ouve essa pergunta das pessoas, algo como: “Sou um jovem escritor, você tem algum conselho, o que eu faço?” Eu sei que é uma pergunta impossível de responder mas…

Neil Gaiman: Não, não, você quer saber minha resposta para isso? Eu posso responder.

Você escreve todo dia, ou você só escreve quando está inspirado? O que você aprendeu?

Se você só escreve quando está inspirado, você pode se tornar um poeta razoável, mas nunca será um romancista, porque você terá que fazer suas palavras valerem hoje e as palavras não vão esperar por você estar inspirado ou não. Então você tem que escrever quando não está inspirado. E você tem que escrever as cenas que não te inspiram. O estranho é que seis meses, um ano depois, você olha para seu trabalho e não vai conseguir lembrar quais cenas você criou quando estava inspirado e quais você criou só porque elas deviam existir em seguida.

O processo de escrita pode ser mágico, há momentos em que é como se você atravessasse por uma janela e caminhasse sobre o ar, é uma felicidade sublime. Mas na maioria das vezes é um processo de colocar uma palavra depois da outra.

É como em Peak District na Inglaterra, ou na Escócia, existem pessoas que fazem paredes de pedra seca. Eles fazem essas paredes há gerações e a forma como eles fazem é essa: eles tem um monte pedras e eles colocam uma, e mais uma que se encaixa, e uma outra que se encaixa… eles sabem como fazer isso e de alguma forma eles criaram essas paredes que são absolutamente estáveis. É só colocar uma pedra em seguida de outra eventualmente você tem uma parede.

É assim que você escreve um romance. Colocando uma palavra depois da outra e repetindo isso. Então as pessoas vem até mim e dizem: “Eu quero ser um escritor, o que devo fazer?”, eu digo: “Você tem que escrever.” Às vezes eles dizem: “Eu já faço isso, o que mais devo fazer?”, eu digo: “Você tem que terminar as coisas.”.

Sim!

Porque é assim que você aprende. Você aprende terminando as coisas. Esse é um outro conselho. Existem tantos conselhos que se pode dar a um jovem escritor. Particularmente a escritores que querem trabalhar com um gênero específico. Você pode dizer: “Leia o que as pessoas estão produzindo dentro desse gênero mas não leia fora da sua zona de conforto.” Se você ama um gênero específico de filmes, você quer fazer filmes de ação Hollywoodianos, vá assistir outros tipos de filmes. Assista documentários…

Contamine as suas idéias com outras.

Isso! Vá ver as outras coisas. Tudo o que puder. Se você gosta de livros, gosta de fantasia e quer ser o próximo Tolkien, não leia enormes fantasias Tolkienianas. Tolkien não lia enormes fantasias Tolkienianas. Ele lia livros sobre filologia finlandesa.

Hahaha!

É isso. Quando você busca ler fora de sua zona de conforto, você aprende coisas novas, elementos primordiais. E então, a coisa mais importante, para qualquer um que obtém algum nível de qualidade ao ponto que você está pronto para escrever e pode escrever é: conte a sua história. Não tente contar histórias que outras pessoas poderiam contar.

Qualquer escritor iniciante começará com as vozes de outras pessoas. Porque eles têm lido outras pessoas por anos e vão começar a contar os tipos de coisas que estas pessoas fazem. O quanto antes, comece a contra histórias que somente você pode contar. Sempre existirão escritores melhores, você sabe que existem ouros mais inteligentes que você e sempre existirão pessoas que são muito melhores nisso ou naquilo. Mas você é o único “você”.

Tarantino…você pode criticar tudo o que Quentin faz mas ninguém escreve coisas Tarantinescas melhor que ele. Ele é o melhor escritor Tarantinesco que existe! É exatamente a isso que as pessoas reagem, a buscar um certo indivíduo que escreve sob o seu próprio ponto de vista.

Bom, eu penso que este é um conselho excelente para qualquer processo criativo. Bill Hicks disse de outra forma: “Trabalhe em sua própria voz e você dominará aquele nicho do mercado.”.

Exato, sempre existirá alguém melhor que eu, mais inteligente que eu, que pensa melhor; mas não existe ninguém que pode escrever uma história de Gaiman melhor que eu.

E como você rompe esta parede? Você sabe? “A parede”. Você está sentado e sabe que deve colocar uma palavra na frente da outra mas, literalmente, vê uma parede à sua frente.

Para mim sempre foi um processo de tentar me convencer de que o que eu estou fazendo como um primeiro rascunho não é importante. Lembro da liberdade incrível de quando mudei de uma máquina de escrever para um computador. Eu não estava mais sujando papéis com tinta, era uma coisa irreal. Como se eu imaginasse que estivesse escrevendo palavras, e elas não importassem.

Uma década depois disso, eu relembrei dessa liberdade: “Eu poderia escrever em cadernos.”. Porque isso não é real até que eu digite. E uma das coisas que eu ainda faço constantemente é escrever em cadernos. Grandes cadernos com capa grossa, essas coisas. E dá certo. Porque não é real. Então, uma forma de você superar a parede é se convencendo que não importa.

Ninguém nunca verá seu primeiro rascunho. Ninguém se importa com seu primeiro rascunho. E essa pode ser a fonte de sua angústia, mas honestamente, tudo o que você faz pode ser consertado. Você poderá consertar amanhã, poderá consertar semana que vem, mas agora simplesmente escreva as palavras e coloque a história no papel de qualquer forma que puder e depois conserte.

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